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  O QUE REQUEIRO AO DIA

O que requeiro ao dia não é já
que realize os meus sonhos, ou me dê
os desejos realizados dos outros dias,
porque aprendi afinal que os sonhos
são como as asas de um insecto,
que se desfazem quando o homem lhes toca;
aliás, um sonho ao realizar-se é já outra coisa,
que não ajuda a voar.
O que requeiro ao dia é aquele sonho
que ao tocar-lhe se parta em outros sonhos,
tal como um bola de mercúrio,
e brilhe longe das minhas mãos.
O que requeiro ao dia começa a ser
inclusive mais difícil de alcançar
do que os sonhos realizados, porque exige
a fé antiga nos sonhos.
O que requeiro ao dia é apenas
um pouco de esperança,
essa forma modesta de felicidade.

autógrafo
Vicente Gallego
Tradução em português do Antonio Miranda


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